Sábado, Setembro 24, 2005
ERA VARGAS
A "Era Vargas" começa com a Revolução de 30 e termina com a deposição de Getúlio Vargas em 1945. Suas principais características são:
- aumento gradual da intervenção do Estado na economia e na organização da sociedade;
- crescente autoritarismo e centralização do poder.
É dividida em três fases distintas: governo provisório, governo constitucional e Estado Novo.
GOVERNO PROVISÓRIO
Em 1930, uma revolução derrubava o governo dos grandes latifundiários de Minas Gerais e São Paulo. Getúlio Vargas assumia a presidência do Brasil em caráter provisório, mas com amplos poderes. Todas as instituições legislativas foram abolidas, desde o Congresso Nacional até as Câmaras Municipais. Os governadores dos Estados foram depostos. Para suas funções, Vargas nomeou interventores.
A política centralizadora de Vargas desagrada as oligarquias estaduais, especialmente as de São Paulo. As elites políticas, do Estado economicamente mais importante, sentem-se prejudicadas. E os liberais reivindicam a realização de eleições e o fim do governo provisório. O governo Vargas reconhece oficialmente os sindicatos dos operários, legaliza o Partido Comunista e apóia um aumento no salário dos trabalhadores. Estas medidas irritam ainda mais as elites paulistas.
Os setores oligárquicos afastados do poder se reorganizam e exigem a convocação de uma Assembléia Constituinte e o fim do governo provisório. São Paulo, principal centro econômico do país, lidera a oposição a Vargas.
REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA

Em 1932, uma greve mobiliza 200 mil trabalhadores no Estado. Preocupados, empresários e latifundiários de São Paulo se unem contra Vargas.
No dia 23 de maio é realizado um comício reivindicando uma nova constituição para o Brasil. O comício termina em conflitos armados.
Quatro estudantes morrem: Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo.
As iniciais de seus nomes formam a sigla MMDC, que se transforma no grande símbolo da revolução. E em julho, explode a revolta. As tropas rebeldes se espalham pela cidade de São Paulo e ocupam as ruas. Uma intensa campanha de mobilização é acionada e a imprensa Paulista defende a causa dos revoltosos.
Quando se inicia o levante, uma multidão sai às ruas em seu apoio. Tropas paulistas são enviadas para os fronts em todo o Estado. Mas as tropas federais são mais numerosas e bem equipadas. Aviões são usados para bombardear cidades do interior paulista. 35 mil homens de São Paulo enfrentam um contingente de 100 mil soldados. Os revoltosos esperavam a adesão de outros Estados, o que não aconteceu.

Em outubro de 32, após três meses de luta, os paulistas se rendem.
Prisões, cassações e deportações se seguem à capitulação. Estatísticas oficiais apontam 830 mortos. Estima-se que centenas a mais de pessoas morreram sem constar dos registros oficiais. A Revolução Constitucionalista de 1932 foi o maior confronto militar no Brasil no século XX.
Apesar da derrota paulista em sua luta por uma constituição, dois anos depois da revolução, em 1934, uma assembéia eleita pelo povo promulga a nova Carta Magna mantendo a república federativa, o presidencialismo, o regime representativo e institui o voto secreto. Amplia os poderes do Estado, que passa a ter autonomia para estabelecer monopólios e promover estatizações. Limita a atuação política do Senado, incumbindo-o da coordenação interna dos três poderes federais. Institui o Conselho de Segurança Nacional e prevê a criação das justiças Eleitoral e do Trabalho.
Nas disposições transitórias, transforma a Assembléia Constituinte em Congresso e determina que o próximo presidente seja eleito indiretamente por um período de 4 anos.
GOVERNO CONSTITUCIONALISTA
Getúlio Vargas é eleito presidente pelo Congresso em julho de 1934 e exerce o mandato constitucional até o golpe do Estado Novo, em 10 de novembro de 1937. Os três anos de legalidade são marcados por intensa agitação política, greves e o aprofundamento da crise econômica. Nesse quadro, ganham importância movimentos como a Ação Integralista Brasileira (AIB) e a Aliança Nacional Libertadora (ANL).
A REVOLTA VERMELHA
Poucos meses depois da sua criação, a Aliança Nacional Libertadora contava com 1600 pequenos núcleos, e só no Rio de Janeiro contava com 50000 participantes, incluíndo muitos militares.
No seu programa constava a suspensão do pagamento da dívida externa, a nacionalização de empresas estrangeiras, a realização da reforma agrária, a defesa das liberdades públicas e a instalação de um governo popular e democrático.
O rápido crescimento da ANL levou alguns líderes comunistas, como Luís Carlos Prestes( foto ao lado) , a acreditar que no Brasil havia condições para uma revolução armada.
Acreditou também que seria possível a instalação de um governo do proletariado.
A propagação das idéias da ANL entre oficiais de baixa graduação e sargentos do Exército, da Marinha e da Força Aérea teve como resultado um movimento de revolta contra o governo, em 1935 chamado A Intentona Comunista.
Aconteceu quase simultaneamente em várias capitais de Estado. Os líderes da revolta foram Luís Carlos Prestes e Astrogildo Pereira.

A jovem judia Olga Benário, mulher de Luiz Carlos Prestes, atraía a massa com suas idéias revolucionárias. Morreu num campo de concentração nazista, para onde foi enviada pela ditadura de Getúlio Vargas.
Se você quiser assistir mais traillers do filme"Olga", clique aqui
A reação das forças militares fiéis a Getúlio sufocou imediatamente a rebelião. Muitos comunistas foram mortos, presos ou exilados e alguns passaram a viver na clandestinidade.
A vitória de Vargas sobre os comunistas abriu o caminho para um golpe político e para a instalação de uma ditadura em 1937.
O GOLPE DE 37
De acordo com a Constituição de 1934, o mandato presidencial era de 4 anos e deveria haver eleições para presidente em janeiro de 1938. À medida em que se aproximava o fim do seu mandato, tornava-se urgente para Vargas e os setores que o apoiavam encontrar um meio de suspender as eleições.
Na campanha eleitoral, três candidatos disputavam a presidência: Armando de Sales Oliveira, José Américo de Almeida e Plínio Salgado.
Getúlio Vargas não pretendia deixar o governo, por isso preparou um golpe de Estado, no que foi apoiado pelos generais Góis Monteiro e Eurico Gaspar Dutra.
Com a finalidade de justificar o golpe, foi elaborado por alguns militares integralistas e homens do governo, um plano falso conhecido como "O Plano Cohen". Este plano previa a instalação de um governo comunista e o assassinato de centenas de políticos brasileiros. A autoria desse plano foi atribuída aos comunistas. Na verdade o plano, não existia. Foi uma manobra do governo para permanecer no poder e implantar a ditadura no país.
No dia 10 de Novembro de 1937 foi dado o golpe. Getúlio ordenou o fechamento do Congresso Nacional e, na noite do mesmo dia 10, anunciou ao povo a outorga de uma nova Constituiçào. Com isso, estava implantada a ditadura de Vargas, conhecida como Estado Novo.
CONSTITUIÇÃO DE 37
A Carta outorgada de 1937 se baseou, principalmente, na Constituição fascista da Polônia e ficou conhecida,portanto, como polaca.
Ela estabelecia a absoluta centralização do poder pelo governo federal e a supressão da autonomia dos estados. A Constituição dava ao presidente, ainda o poder de dissolver o Congresso, reformar a Constituição e controlar as Forças Armadas.
Permitia ainda que Vargas concentrasse em suas mãos os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e restringia as liberdades individuais.
ADMINISTRAÇÃO DE 37
Para garantir a estabilidade de seu governo, Vargas afastou todos os obstáculos que poderiam ameaçar-lhe o poder: dominou a revolta integralista em 1938, exilou seus participantes Artur Bernardes, Armando de Sales Oliveira e, mais tarde, o chefe integralista Plínio Salgado.
Diante de tantos poderes, Vargas destituiu os governadores, proibiu as greves e acabou com a liberdade dos sindicatos. A partir de então, os estatutos e as diretorias dos sindicatos passaram a depender da aprovação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, criado por Getúlio.
Para melhor controlar o serviço público, Vargas criou o DASP (Departamento de Administração do Serviço Público) e como forma de sustentação da ditadura, criou o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda). O DIP era o órgão responsável pela propaganda do governo e pela censura. Controlava a imprensa e determinava o que podia e o que não podia ser publicado.
PARTICIPAÇÃO DO BRASIL NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
Em setembro de 1939, a Alemanha invade a Polônia, começando a Segunda Guerra Mundial.
Getúlio fez um jogo estratégico, ora tendendo para o lado dos Aliados (Inglaterra, França, EUA, e URSS), ora para o lado do Eixo ( Alemanha, Itália e Japão). Com isso, o ditador procurava tirar o máximo de proveito do conflito internacional. Em seu ministério existiam tanto elementos pró-Aliados como simpatizantes do Eixo. Entretanto, o envolvimento econômico do Brasil com os Estados Unidos e a evidência de uma vitória aliada fizeram com que o Brasil entrasse na guerra.
A opinião pública começou a pressionar o governo em favor do Aliados e o mesmo fizeram os Estados Unidos, que entraram no conflito em 1941 e queriam instalar uma base aérea no litoral do Rio Grande do Norte. A decisão em favor dos Aliados foi pelo afundamento, em 1942, de cinco navios brasileiros, supostamente por submarinos alemães.
Em meados de 1944, desembarcou em Nápoles o primeiro escalão da Força Expedicionária Brasileira (FEB), sob o comando do General Zenóbio da Costa, seguido de outros quatro, que constituíram a Primeira Divisão Brasileira na Europa. No fim da guerra, em 1945, o Brasil perdera dois mil soldados e 37 navios.
A vitória dos Aliados, na Segunda Guerra Mundial, significou o fim das ditaduras fascistas da Itália e da Alemanha; portanto, significou a vitória das democracias. Os militares brasileiros compreenderam, então, que não tinha mais sentido apoiar a ditadura de Vargas. Compreenderam que era momento de mudar e,de preferência, mudar para um regime democrático.
Pressionado pela sociedade, Getúlio concede anistia ampla, manda libertar os comunistas, permitiu a volta dos exilados e decretou o Ato Adicional, que marcava eleições diretas e livres em todo país. Surgiram novos partidos:
- UDN (União Democrática Nacional)
- PSD (Partido Social Brasileiro)- criado por Getúlio
- PTB (Partido Trabalhista Brasileiro)- criado por Getúlio
- PSP (Partido Social Progressista)
Os partidos apresentaram seus candidatos para presidente da República e em meio à agitada campanha eleitoral, surgiu o movimento popular favorável à continuidade de Getúlio no poder. Esse movimento foi chamado de queremismo porque populares, com o apoio dos comunistas, e aliados ao PTB, percorriam as ruas gritando: "Queremos Getúlio, queremos Getúlio!"
Em 29 de outubro de 1945 os conservadores e os militares depõem Getúlio, temendo sua radicalização política populista evidenciada pela lei Malaia e pela organização dos "queremistas". O poder foi entregue em caráter provisório ao Presidente do Supremo Tribunal, José Linhares. Nas eleições ocorridas em dezembro, saiu vitorioso o candidato da coligação PTB-PSD, general Eurico Gaspar Dutra.
SOCIEDADE NA ERA VARGAS
Com o aprofundamento da crise do café a partir de 1930 e a política industrializante de Vargas, a burguesia cafeeira passa a dividir o poder com a burguesia industrial em ascensão. As classes médias ampliam sua participação na vida política do país, inclusive com o surgimento do movimento estudantil.
A classe operária cresce consideravelmente, mas é controlada pelo Estado por meio dos sindicatos, da legislação trabalhista e da repressão direta. Em 1930 é criado o Ministério da Educação e Saúde. A Constituição de 1934 torna o ensino primário obrigatório e propõe a expansão gradativa dessa obrigatoriedade aos outros níveis de ensino.
CONTROLE DOS SINDICATOS
Em 26 de novembro de 1930 é criado o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. No ano seguinte o Estado amplia o controle sobre os trabalhadores com a lei da sindicalização: a participação de estrangeiros na diretoria dos sindicatos é limitada, o mandato dos diretores sindicais é de apenas um ano, sem direito à reeleição. As entidades são proibidas de desenvolver qualquer atividade política e seus estatutos e contabilidade precisam ser aprovados pelo Ministério do Trabalho. Mesmo com essas restrições, o período é marcado por um grande número de greves lideradas por comunistas e socialistas.
CORPORATIVISMO
Em 1939, uma nova lei sindical inspirada na Carta del Lavoro da Itália fascista implanta o corporativismo nas entidades de trabalhadores. As organizações sindicais são entendidas como órgãos de colaboração de classe e base do poder do Estado. O governo cancela o registro dos sindicatos, dissolve as antigas diretorias e indica homens de sua confiança para as novas funções os chamados "pelegos". Proíbe as greves e quaisquer atividades de protesto. Institui também o imposto sindical: cada trabalhador deve pagar por ano o valor correspondente a um dia de trabalho. Do total recolhido, 20% ficam com o governo e 80% com os sindicatos, sob controle do Ministério do Trabalho.
CONQUISTAS TRABALHISTAS
O governo Vargas atende a várias reivindicações operárias. Em 1932 a jornada de trabalho passa a ser oficialmente de oito horas e o trabalho da mulher e do menor é regulamentado. É estabelecido o princípio de salário igual para trabalho igual e as mulheres ganham o direito à licença-maternidade de dois meses. A lei de férias, criada em 1926, é regulamentada em 1933, mas apenas algumas categorias de trabalhadores urbanos gozam de tal direito. Ainda em 1933, a previdência social começa a ser organizada sob o controle do Estado e são criados os institutos de aposentadorias e pensões (IAPs). Eles praticamente eliminam as antigas entidades assistenciais dos trabalhadores e colaboram para aumentar a força do Estado com os imensos recursos recolhidos dos assalariados e das empresas.
CLT
Em 1940 é instituído o salário mínimo com o objetivo de reduzir a pauperização dos trabalhadores urbanos e ampliar o mercado para as indústrias de bens de consumo leve. Em 10 de novembro de 1943 entra em vigor a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), que reúne todas as resoluções tomadas desde 1930 na área trabalhista, sempre apresentadas como uma "doação" do Estado e do próprio Getúlio.
BANDISTISMO SOCIAL
O banditismo social é um fenômeno presente em vários países associado a um quadro de intensa miséria e injustiça social. No Brasil, desenvolve-se no sertão nordestino e é conhecido como cangaço. Suas origens remontam ao Império. Entre 1877 e 1879 grupos armados começam a assaltar fazendas e armazéns e a distribuir víveres aos flagelados da seca. O cangaço cresce alimentado pelas lutas de família no interior do Nordeste. Muitos "coronéis" contratam bandos de cangaceiros para eliminar seus inimigos ou defender suas propriedades. Entre os principais líderes destaca-se Antônio Silvino, que chega a ser conhecido como "governador do sertão". Até sua captura, em 1914, Silvino mobilizou as polícias do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, atacando cidades, fazendas e tropas do governo. O mais conhecido, porém, é Virgulino Ferreira, o Lampião, chamado de "o rei do cangaço", famoso mais pela truculência de seu bando do que por sua generosidade.
CULTURA NA ERA VARGAS
A revolução estética proposta pelo movimento modernista de 1922 consolida-se a partir da Revolução de 30. A tensão ideológica de toda a Era Vargas se faz presente na produção cultural. A literatura, por exemplo, é considerada um instrumento privilegiado de conhecimento do ser humano e de modificação da realidade.
LITERATURA
Poetas como Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade e romancistas como José Lins do Rego atingem a maturidade. Surgem novos escritores, como Érico Veríssimo, Jorge Amado e Graciliano Ramos. Na poesia, de linha intimista, sobressaem Cecília Meireles e Vinícius de Moraes. Mais para o final do Estado Novo destacam-se João Cabral de Melo Neto na poesia de temas regionais, Clarice Lispector, na prosa de ficção, e Guimarães Rosa, um dos mais importantes romancistas brasileiros.
ARQUITETURA E ARTES PLÁSTICAS
Na arquitetura destacam-se Lúcio Costa, que projeta o prédio modernista do Ministério da Educação e Cultura (MEC) no Rio de Janeiro, e Oscar Niemeyer que, em 1942, planeja em Belo Horizonte o Conjunto da Pampulha. A obra inova nas linhas arquitetônicas e na decoração, feita com azulejos e painéis do pintor Cândido Portinari.
MÚSICA E TEATRO
No teatro, surge o dramaturgo Nélson Rodrigues. Em 1943 ele estréia no Rio de Janeiro a peça "Vestido de Noiva", que incorpora padrões teatrais revolucionários para a época. A música popular dá um salto de qualidade com o trabalho de compositores como Pixinguinha, Noel Rosa, Ary Barroso, Lamartine Babo, Ismael Silva e Ataulfo Alves. Na música erudita, Villa-Lobos compõe as Bachianas brasileiras, unindo Bach e a música folclórica nacional.
Fontes de Pesquisa:
Revista Princípios
Conhecimentos Gerais: A História do Brasil
Sampa.Art
Terra- Cinema
ana_pe 9:43 AM
Tire tua dúvida lá,mas comente aqui:
Sábado, Setembro 10, 2005
A Independência da América Espanhola
"Comércio livre com países livres"
No início do século XIX a América hispânica, inspirada nas idéias liberais do Iluminismo, travou sua guerra de independência vitoriosa contra colonialismo espanhol para, em seguida, fragmentar-se em um grande número de jovens repúblicas oprimidas por militares, exploradas por oligarquias rurais e acorrentadas a uma nova dependência econômica imposta pelo capitalismo industrial inglês.
1- A CRISE DO SISTEMA COLONIAL
O fim do Antigo Regime nas últimas décadas do século XVIII foi conseqüência das transformações ideológicas, econômicas e políticas produzidas pelo Iluminismo, pela Revolução Industrial, pela independência dos Estados Unidos e pela Revolução Francesa. Estes acontecimentos, que se condicionaram e se influenciaram reciprocamente, desempenharam um papel decisivo no processo de independência da América espanhola.
As elites da América colonial encontraram na filosofia iluminista o embasamento ideológico para seus ideais autonomistas. A luta pela liberdade política encontrava sua justificativa no direito dos povos oprimidos à rebelião contra os governos tirânicos e á luta pela liberdade econômica na substituição do monopólio comercial pelo regime de livre concorrência.
"A Revolução Industrial Inglesa: Viu-se a necessidade de substituir o monopólio comercial por livre concorrência".
Por esta época a Revolução Industrial inglesa inaugurava a era da indústria fabril e da produção mecanizada. A exportação das mercadorias inglesas exigia a abertura dos mercados americanos ao livre comércio e esbarrava nos entraves criados pelo pacto colonial. O monopólio comercial favorecia apenas as metrópoles que lucravam duplamente revendendo os produtos coloniais à Europa e as manufaturas inglesas às suas colônias. Esta política monopolista, entretanto, prejudicava tanto a burguesia inglesa quanto as elites coloniais, e, assim, o desenvolvimento do moderno capitalismo industrial acelerou a crise do antigo sistema colonial mercantilista. E a quebra do pacto colonial e sua substituição pelo libre comércio só poderia se fazer através da independência das colônias em relação às antigas metrópoles.
"A independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa aceleraram o fim do sistema colonial luso-espanhol".
A independência das treze colônias e a formação dos Estados Unidos, primeiro país soberano do Novo Mundo, tornaram-se o exemplo e a fonte de inspiração para os movimentos latino - americanos que lutavam pela emancipação política e pela ruptura do pacto colonial. O regime republicano, baseado no pensamento iluminista, exerceu enorme fascínio sobre a aristocracia "criolla" da América Espanhola.
O maior impacto veio, entretanto, da Revolução Francesa, cujas conseqüências se fizeram sentir tanto na Europa quanto na América. A ascensão de Napoleão Bonaparte, a imposição da supremacia francesa à Europa e o estabelecimento do Bloqueio Continental contra a Inglaterra desferiram um golpe de morte no decadente sistema colonial ibero-americano. A invasão de Portugal pelos franceses rompeu o pacto colonial luso-brasileiro e acelerou a independência do Brasil, ao mesmo tempo em que a ocupação da Espanha por Napoleão e a imposição de José Bonaparte como rei do país desencadearam as lutas de independência nas colônias da América espanhola.
PARA SABER MAIS SOBRE A CONJUNTURA HISPANO - AMERICANA, 3 , A GUERRA DE INDEPENDÊNCIA E SUAS CONSEQUÊNCIAS,
CLIQUE AQUI
PARA FAZER UM SIMULADO A RESPEITO DO ASSUNTO, CLIQUE AQUI
ana_pe 11:35 AM
Tire tua dúvida lá,mas comente aqui:
Quinta-feira, Agosto 11, 2005
Renascentismo
O termo Renascimento é comumente aplicado à civilização européia que se desenvolveu entre 1300 e 1650, sobretudo no século XVI e suas características principais foram:
- Valorização da cultura greco-romana. Para os artistas da época renascentista, os gregos e romanos possuíam uma visão completa e humana da natureza, ao contrário dos homens medievais;
- As qualidades mais valorizadas no ser humano passaram a ser a inteligência, o conhecimento e o dom artístico;
- Enquanto na Idade Média a vida do homem devia estar centrada em Deus ( teocentrismo ), nos séculos XV e XVI o homem passa a ser o principal personagem (antropocentrismo).
- A razão e a natureza passam a ser valorizadas com grande intensidade. O homem renascentista, principalmente os cientistas, passam a utilizar métodos experimentais e de observação da natureza e universo.
Contexto Histórico
As conquistas marítimas e o contato mercantil com a Ásia ampliaram o comércio e a diversificação dos produtos de consumo na Europa a partir do século XV. Com o aumento do comércio, principalmente com o Oriente, muitos comerciantes europeus acumularam fortunas. Com isso, eles dispunham de condições financeiras para investir na produção artística de escultores, pintores, músicos, arquitetos, escritores, etc.
Os governantes europeus e o clero passaram a dar proteção e ajuda financeira aos artistas e intelectuais da época. Essa ajuda, conhecida como mecenato( termo usado até os dias de hoje para apoio cultural junto ao Ministério da Cultura e/ou Fundo Nacional de Cultura), tinha por objetivo fazer com que esses mecenas (governantes e burgueses) se tornassem mais populares entre as populações das regiões onde atuavam.
Foi na Península Itálica que o comércio mais se desenvolveu neste período, dando origem a uma grande quantidade de locais de produção artística. Cidades como Veneza, Florença e Gênova tiveram um expressivo movimento artístico e intelectual. Por este motivo, a Itália passou a ser conhecida como o berço do Renascimento.
No decorrer do século XVI a cultura renascentista expandiu-se para outros países da Europa Ocidental e para que isso ocorresse contribuíram as guerras e invasões vividas pela Itália num primeiro momento e após marcada pelas grandes navegações que tinham como objetivo a exploração do comércio oriental e depois a exploração da América.
A navegação pelo Atlântico reforçaram o capitalismo de Portugal, Espanha e Holanda e em segundo plano da Inglaterra e França. Nesses "países atlânticos" desenvolveu-se então a burguesia e a mentalidade renascentista.
A mudança do eixo econômico do Mediterrâneo para o Atlântico determinou a decadência italiana e ao mesmo tempo impulsionou o desenvolvimento dos demais países, promovendo reflexos na produção cultural.
Os principais representantes do Renascimento Italiano e suas principais obras:
Michelangelo Buonarroti
(1475-1564) Escultor, pintor, poeta e arquiteto italiano. Nasce em Caprese, estuda em Florença e ganha a proteção de Lorenzo Medici. Em Roma, aos 23 anos, inicia a Pietá. De volta a Florença, esculpiu Davi e pinta A Sagrada Família. Em 1508 começa a pintar sozinho os afrescos do teto da Capela Sistina, trabalho que dura quatro anos. Em 1538 pinta a parede do Juízo Final, na mesma capela. Oito anos depois, projeta a cúpula da Basílica de São Pedro. Ao mesmo tempo, retoma a Pietá e esculpi também a Pietá Palestrina e a Pietá Rondanini.
Raphael Sanzio
(1483-1520) Suas obras comunicam ao observador um sentimento de ordem e segurança, pois os elementos que compõem seus quadros são dispostos em espaços amplo, claros e de acordo com uma simetria equilibrada. Foi considerado grande pintor de Madonas.
Obras destacadas: A Escola de Atenas e Madona da Manhã. - pintou várias madonas (representações da Virgem Maria com o menino Jesus).
Leonardo da Vinci
(1452-1519). Artista, arquiteto, inventor e escritor italiano. Nasce em Florença, se torna aprendiz de Andrea Verrocchio e recebe a proteção de Lorenzo de Medici. Entre 1482 e 1499 vive em Milão, onde pinta o afresco da Última ceia. Em Florença, entre 1503 e 1506, pinta a Mona Lisa. Vive em Roma, entre 1513 e 1517, onde se envolve em intrigas do Vaticano, e decide ir se juntar à corte do rei francês Francisco I. Nos estudos científicos, prenuncia a invenção de peças modernas como o escafandro, o helicóptero e o pára-quedas. Seu Tratado sobre a pintura é um dos livros mais influentes da história da arte. O maior representante do Renascimento, Da Vinci inaugura o antropomorfismo em sua arte e pensamento: "O homem é a medida de todas as coisas".
Obras principais :Mona Lisa, Última Ceia.
As Grandes Descobertas e Invenções
No campo da ciência, o período foi um dos mais férteis na história da humanidade.Galileu Galilei, mesmo perseguido pela Igreja, afirmava não ser a Terra o centro de todo o universo.
Pela constatação do movimento da Terra em torno do Sol, as teorias de Galileu seguiam em rota de colisão com os próprios conceitos religiosos vigentes: tal fato, por si mesmo, já era considerado um desafio às autoridades religiosas.
Por este motivo, alguns de seus inimigos convenceram o Papa que as teorias de Galileu eram mais danosas para a religião do que as heresias de Lutero e de Calvino. Foi perseguido, processado duas vezes e obrigado a abjurar, publicamente, suas teorias, e, depois, banido, em estado de detenção, para uma vila de Arcetri, perto de Florença, onde passou o resto de seus dias.
A 8 de janeiro de 1642, cercado por alguns íntimos, desaparecia Galileu Galilei, deixando a Humanidade o fruto do seu grande e multiforme gênio.
Galileu produziu a defesa do sistema condenado, considerado "herético e absurdo". A obra foi entregue à Inquisição e Galileu, então de 70 anos, teve de comparecer perante o terrível tribunal (1633).
O processo durou vinte dias. Galileu mal se defendeu. Foi levado perante o tribunal e, ali, pronunciou de joelhos, diante dos seus juízes, a abjuração da sua doutrina.
Pretende a tradição que, ao levantar-se, Galileu bateu com o pé no chão, exclamando: E pur, si muove! (E todavia, move-se!)
A invenção da bússola, assim como o aprimoramento das técnicas de navegação, facilitou a expansão marítima européia, resultando na nova rota marítima para as Índias, realizadas por Vasco da Gama.
Os avanços da tecnologia de navegação da época foram notáveis, não tardando assim o descobrimento da "nova terra", a América, realizada por Cristóvão Colombo.
Por outro lado, a pólvora, outrora utilizada meramente para a fabricação de fogos de artifício, passou a ser utilizada para fins militares. Desta forma, os colonizadores europeus passaram a obter vantagem bélica esmagadora sobre os povos dos territórios conquistados.
|
|
|
|
|
-Independência do Brasil -Independência da América Espanhola -Simulado América Espanhola -Economia na Era Vargas Arquivo
Abril de 2005 |